Liberdade de expressão e troca de experiências marcam 8ª Conferência

A troca de experiências e a ampla oportunidade de debates estão entre as impressões mais citadas pelos participantes da 8ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente – Construindo Diretrizes da Política e do Plano Decenal. Conselheiros, palestrantes e os próprios jovens se dizem satisfeitos com o fato de poder apresentar seus projetos para as cidades do País e, também, aprender com as iniciativas que deram certo em outras localidades.

Em geral, vence o consenso de que, se por um lado ainda há muito que se avançar quando o assunto é aplicabilidade das leis, por exemplo, celebra-se o espaço aberto para a liberdade de expressão. Isto representa uma importante oportunidade na luta pela aplicação dos direitos dos jovens do Brasil.

“É um espaço maravilhoso e muito rico. É incrível poder realizar toda essa troca com pessoas de todos os estados do Brasil”, diz Everaldo Carlos de Melo, de Mogi das Cruzes (SP), onde trabalha com jovens que estão em risco social, por meio do Pró-Jovem. Ele explica que as crianças e adolescentes atendidos no programa realizam atividades culturais, de lazer, cidadania além de cursos pré-profissionalizantes. “Pelo Pró-Jovem atendemos cerca de 60 meninos e meninas em estado de vulnerabilidade e mais 150 com jornada ampliada”, conta.

Para Everaldo, que trouxe 40 adolescentes para esta Conferência, ver a movimentação dos jovens é gratificante. “É a primeira vez que participo e é muito bom ver a causa das crianças e dos adolescentes ser discutida e debatida por eles mesmos com tanta consciência”, elogia. A expectativa de Everaldo é a de que ele e os jovens que o acompanham levem novos conhecimentos que venham contribuir para uma melhora no desenvolvimento dos programas que desenvolve em Mogi das Cruzes.

Além do intercâmbio de conhecimento, alguns participantes veem que a experiência também é bem aproveitada na própria estrutura do evento. É como pensa Fátima Brício, que trouxe oito adolescentes do Amapá. Para ela, cada evento cresce em relação ao anterior devido à experiência que se adquire em cada um. “As Conferências evoluem em termos de organização, discussão e participação dos jovens”. Segundo Fátima, a participação das crianças e dos adolescentes nesses eventos faz com que, a cada edição, eles adquiram mais conhecimento e preparo. “Eles achegam com mais argumentos, novas idéias, expõem mais seus pensamentos e debatem com mais maturidade”.

Em meio aos pontos positivos, Fátima aponta um desafio a ser superado nas próximas Conferências. “Senti falta da presença de jovens com deficiência. Não vi nenhum por aqui. Essa deve ser uma preocupação das delegações”. Em sua análise, Fátima acredita que mais de um aspecto resulta na ausência destas crianças. “Falta-lhes esclarecimento, engajamento em movimentos sociais. A presença deles é muito importante porque aqui estão sendo discutidas questões que também são pertinentes a eles”.

Reportagem: Elizângela Isaque

Foto: Leonardo Prado
 

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